Distrito de Vila Cristina

Vila Cristina: desenvolvimento e história

Distrito de Caxias está encravado entre a paisagem do vale e as montanhas

 

No pé da Serra, cercado por montanhas e paisagens exuberantes, fica Vila Cristina, o distrito caxiense que foi o berço da imigração alemã e italiana. No final do século XIX, esse lugar pertencia a São Sebastião do Caí, a cidade localizada às margens do Rio Caí e ponto de desembarque dos imigrantes, que chegavam por via fluvial. Com o tempo, Vila Cristina foi anexada a Caxias do Sul, e por isso é comum que se diga que foi ali que a cidade começou.

Porém, a história de Caxias do Sul inicia ainda antes da chegada dos imigrantes, então vamos voltar um pouco no tempo. Os índios já residiam nessas terras, foram eles os primeiros habitantes. Segundo o livro Vila Cristina História & Memória, de Germano Noll e Liliana Alberti Henrichs, eles pertenciam ao grupo Jê, da nação Caágua, da tribo Caaguaras.

Ambos deixaram suas marcas culturais nos territórios onde viveram. Um exemplo disso é termos mais de 400 vocábulos de linguagem cotidiano indígena no nosso vocabulário. A ocupação dos territórios, segundo o livro, foi acontecendo a partir da abertura de trilhas e deslocamentos a pé. A margem do Rio Caí, em Vila Cristina, era um das região. O período em que as terras foram habitadas pelos índios também deixa um legado na arquitetura. No livro, os autores informam que na localidade do Cerro da Glória, que integra o distrito de Vila Cristina, foi localizado um lugar que ficou conhecido como “Toca dos Índios / Bugres”. 

Nos anos 1800, começou a ser feita a divisão político-administrativa do Rio Grande do Sul. Conforme a obra Vila Cristina História & Memória, foram criadas quatro freguesias, que eram equivalentes ao que é hoje um município: Porto Alegre, Rio Grande, Rio Pardo e Santo Antônio da Patrulha. A população era predominantemente portuguesa e a vasta área de Santo Antônio da Patrulha englobava a região dos Campos de Cima da Serra. O alto da Serra, porém, não teve atenção dos fazendeiros e pecuaristas devido à dificuldade de acesso e foi desprezado.

A região do Vale do Caí possuía quatro fazendas: Fazenda do Temerário, Pirajá, Do Capitão Pedro Schimit e Fazenda Palmira, todas às margens do Rio Caí. Elas foram concedidas em 1818, no formato de sesmarias. Em meados de 1850, foram loteadas e vendidas para moradores da região, a maioria deles de origem alemã e já estabelecidos nas proximidades. As terras desprezadas na Serra se tornaram devolutas e, tempos depois, vendidas aos imigrantes italianos em regime de pequenas propriedades, uma fórmula que deu certo.

Esse sistema mostrou-se sustentável e representou um grande avanço para a região. Em 1864, uma área de 8 mil quilômetros de terras devolutas no Rio Grande do Sul foi dividida em três colônias: Conde D’Eu, Dona Isabel e Colônia dos Fundos de Nova Palmira, denominada Colônia Caxias a partir de 1877. Em 12 de abril de 1884, com a maioria das propriedades já ocupadas, Caxias foi extinta como colônia e anexada ao município de São Sebastião do Caí.

Nesse território, estava Nova Palmira, uma localidade que se desenvolvia a partir da Estrada Rio Branco e da proximidade com o rio e ainda hoje está integrada ao distrito de Vila Cristina. Crescendo a partir de negócios importantes, em 1934, Nova Palmira foi elevada a distrito de São Sebastião de Caí e, em 31 de março de 1938, à condição de Vila. Em 17 de fevereiro de 1959, desanexou-se de São Sebastião de Caí e incorporou-se a Caxias do Sul.

Boa parte dessa história está preservada em livros e em casarões que seguem em pé no distrito de Vila Cristina. Além de ver a história de perto, circulando pelo trecho que ainda existe da Estrada Rio Branco, em um passeio pelo distrito é possível aproveitar os restaurantes e as opções de hospedagens, fazer um voo panorâmico, conhecer um orquidário e fazer piquenique em jardins abertos para isso. É possível também participar das festas dedicadas aos santos, que acontecem anualmente no distrito.

Desde 16 de dezembro de 1992, Vila Cristina é um distrito de Caxias do Sul. Formado por 13 comunidades, tem 180 quilômetros quadrados de área e faz divisa com municípios tipicamente alemães, como Nova Petrópolis e Vale Real. A economia do distrito é diversificada e inclui produção de hortifruti, especialmente cítricos, temperos e alface, agroindústrias e empresas, com destaque para a Pettenati. Assim como aconteceu em Nova Palmira, que se desenvolveu por ser cruzada pela Estrada Rio Branco, Vila Cristina é beneficiada pela BR-116, que passa no meio do distrito. Mais um exemplo de que quando há infraestrutura, uma localidade cresce.

Confira Vídeo do Distrito de Vila Cristina.

 

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