Distrito de Vila Seca

Região Campeira

Vila Seca, primeiramente habitada pelo povo indígena, possui o sítio no mais antigo já datado para o município de Caxias do Sul, catalogado por Schmitz, em 17/06/1966, como Sítio RS 40 CXS. A datação, equivalente ao ano de 569 d.C, identificado através analise de recolhimento de carvão. Além desse, Vila Seca possui outros sítios mapeados e catalogados e uma gruta com sepultamento. Na região de  São Gotardo possui o  Sítio RS 67 CXS  na conhecida Cascata de São Gotardo  registrado em 09/02/1966, por Schmitz, trata-se de um abrigo sob rocha colocado por trás da cascata. Os Sítios RS 68/120 CXS e RS 69/119 CXS catalogados por Schmitz e La Salvia em 1966 na região onde encontrasse a barragem faxinal, hoje extintos  o primeiro pelo cultivo agrícola e segundo pela barragem. (fonte: Patrimônio arqueológico de Caxias do Sul / Rafael Corteletti.)

Em meados de 1760, a região onde fica Vila Seca começou a ser ocupada, por descendentes de luso-açorianos, tropeiros e afro-Brasileiros, que introduziram o gado na região através das sesmarias, com mão-de-obra escrava, que funcionaram por muitas décadas. Convém destacar  a religiosidade da comunidade de Vila Seca, uma vez que as populações luso-açorianas, que se deslocaram de Santo Antônio da Patrulha e Laguna para ocupar os Campos de Cima da Serra, trouxeram consigo a fé ao Divino Espirito Santo. A população, em sua maioria de origem portuguesa, foi responsável por preservar a realização da Festa do Divino Espírito Santo, sempre na segunda semana de maio.

Vila Seca tem importância histórica para Caxias do Sul. Foi ponto de passagem dos tropeiros que colaboraram com a integração dos povos que formaram a região (Rota dos Tropeiros).

Ao final do século XIX, o local já possuía três enormes fazendas, com campos e matas. Patrício Pasquali foi o agrimensor dessas terras, quando estas foram repassadas à segunda geração de imigrantes; ele deixou mais de mil hectares de terra, fruto de seu trabalho como agrimensor, para seus 12 filhos.

Patrício teve uma atuação decisiva quando se pensou em fundar uma vila na região, por volta de 1912. Havia apenas uma bodega e um pequeno hotel para tropeiros na localidade e seria necessária a construção de uma capela para organizar o povoado. Na época, houve discussão entre alguns moradores sobre qual local seria mais adequado para a construção, pois tanto Patrício Pasquali quanto Antonio Pereira Soares, conhecido por Niquinho, queriam fazer a doação do terreno.

Patrício ofereceu um terreno na esplanada, mas Niquinho preferia a encosta, pois lá havia água, escassa na esplanada. No final, vigorou a vontade de Pasquali. Niquinho, chateado, rogou praga dizendo que não haveria água para abastecer o local, que seria uma vila sem água, uma vila seca, e Vila Seca ficou então definido como nome do distrito.

Vila Seca pertenceu ao território de Santo Antônio da Patrulha, depois passou para São Francisco de Paula, e só em 1937 passou a ser, oficialmente, distrito de Caxias do Sul. O povo tinha uma identidade totalmente campeira até o final do século XIX e início do século XX, quando a região passou a receber os descendentes de alemães e os italianos. Alguns, focaram na extração da madeira, devido aos pinheirais em abundância na região, e outros adquiriram terras para plantio agrícola. O jeito campeiro deste povo prevalece até hoje, diferenciando-se um pouco do povo caxiense. Com suas construções mais antigas, fogões a lenha, pinhão, cavalos e gado, Vila Seca continua muito campeira.

Com o passar dos anos, foi tomando ares de crescimento, popularizou-se e criou sua subsistência através de atividades como piscicultura, pecuária, avicultura, fruticultura, produção de cereais, oleicultura e equídeos.

 

Hoje Vila, Seca possui uma área de 13.785 hectares, com uma população de aproximadamente 1.900 moradores. Formada principalmente por grandes extensões de campos, a geografia é uma das principais diferenças do distrito de Vila Seca em relação às demais localidades do interior de Caxias do Sul. Quem visitar essa fantástica localidade encontrará uma bela e rica região, coberta de maravilhas naturais, campos, mata nativa, lagos, cachoeiras e muitas áreas verdes.

Na sede e nas comunidades são tradicionais as festas campeiras e os torneios de laço. Destaque para cancha de Rodeio e CTG. A economia se estrutura na pecuária, criação de aves e no cultivo de frutas (algumas propriedades recebem visitas conforme descrição dos atrativos abaixo).

Possui mais de 600 quilômetros de estradas, que conduzem para as localidades que formam o distrito. Em cada uma delas, encontra-se uma capela. São elas: Nossa Senhora Aparecida, São Gotardo, Boca da Serra, Menino Deus e Dalagno, além do núcleo central de Vila Seca, com a Capela do Divino Espírito Santo. Na sede do distrito, encontra-se a Praça Cordeiro de Farias, com a Capela do Divino Espirito Santo, além da subprefeitura, do cartório, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Érico Veríssimo, da Unidade Básica de Saúde, do Ginásio de Esportes e do comércio local.

Vila Seca tem grande fortaleza hídrica e água potável para abastecer mais de 70% da cidade de Caxias do Sul. Pertencem ao esse distrito as áreas denominadas como Zonas da Água. Com nascentes de diversos rios e duas represas, Faxinal e Sistema Marrecas, é um complexo de abastecimento. O nome do distrito é, na verdade, oposto da sua realidade. O distrito que se chama Vila Seca possui o maior manancial de água do município.

Veja vídeo de Vila Seca.

 

Fontes:

A PAISAGEM EM CRIÚVA E VILA SECA, CAXIAS DO SUL, BRASIL: UMA NARRATIVA ETNOGRÁFICA - Claudia Ribeiro / José Carlos Gomes dos Anjos /Guilherme Francisco Waterloo Radomsky - tema de interesse e campo empírico de estudos na pós-graduação em Desenvolvimento Rural da - UFRGS / Dissertação de mestrado.

CONSTRUÇÃO, RECONSTRUCÃO E DISPUTA PELA MEMÓRIA COLETIVA E IDENTIDADE ETNICA NOS CAMPOS DE CIMA DA SERRA DO RIO GRANDE DO SUL: DISTRITO CAXIENSE DE VILA SECA - Ana Carine Cerva, 2014. Dissertação de Mestrado em Sociologia UFRGS.

Corteletti, Rafael - PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO DE CAXIAS DO SUL / Rafael Corteletti. – Porto Alegre: Nova Prova, 2008. 200 p.