Parque Água Azul

PARQUE ÁGUA AZUL - Atrativo que mescla natureza, história e centro da localidade. No passado foi habitada pelos índios, nessas redondezas ocorreu martírio de Pe. Cristóvão de Mendonza. Em meio a natureza é passagem do rio Mamangava e local da famosa fonte de água azul, que da nome a localidade e considerada por muitos como sagrada. Faz parte do parque a igreja, salão comunitário e o Monumento ao Introdutor do Gado Rio Grande do Sul uma homenagem a Pe. Cristóvão de Mendonza.

Visitação: acesso individual é gratuito. Para Grupos e necessário agendamento prévio.

O que fazer no local: Contemplar o Monumento do Introdutor do Gado RS, parte externa da igreja, conhecer a distinta fonte de água azul e a beleza do seu entorno em meio a natureza. Muitos vão até o local em busca de auxílio espiritual, bem estar, realizar pedidos à fonte e ao Padre, tem local para ascender velas. Ou simplesmente passar o dia ou algumas horas curtindo e descansando. Não é permitido acampar.

Horário de acesso: Terça a Domingo das 8h às 18h - devido a pandemia o parque encontra-se FECHADO e segue as regras conforme estabelecidas pelos orgãos de prevenção Covid-19.

Horário da Missa na igreja: terceiro domingo do mês as 15hs

Eventos realizados no local: *Oficial da comunidde é em homenagem ao PAI QUERITO, Padre Cristóvão de Mendoza. Ocorre anualmente no mês de abril , com missa campal ou crioula, na fonte e opção de almoço campal.

*Novembro Torneio de laço realizado o piquete de lançadores Sinuelo dos Pampas de Água Azul.

*Anualmente em setembro os Trilheiros do Piaí realizam o evento Trilhas do Piaí.

Localizado:  Estrada Municipal Água Azul, Distrito de Santa Lúcia do Piaí. Link de localização

O local pertence a Mitra Diocesana está aos cuidados da Paróquia de Santa Lúcia do Piaí através da comunidade de Água Azul.



 História

A região foi habitada pelo povo indígena que segundo pesquisador, arqueólogo e professor da UFPel Rafael Corteletti,  autor do livro Patrimônio Arqueológico de Caxias do Sul, 2009, "dados cronológicos atestam que a área de Água Azul, na Microrregião Santa Lúcia do Piaí começa a ser ocupada em meados do Século VII, e mantém uma constância de ocupação até pelo menos o início do século XIV. "

 A população Ameríndias, de origem Jê, forma as tribos Kaingang e Xokleng, que habitaram as terras e construíram assentamentos com as chamadas "casas subterrâneas".

Corteletti ressalta a região por ser um local que facilitava a manutenção da vida. A região apresentava e ainda apresenta geografia favorável para habitar e disponibilidade de alimentos adquiridos através das frutas, da caça e da pesca. O local  é próximo de rios e nascente que para algumas tribos indígenas era considerado local sagrado.

Esse povo tinha uma grande quantidade de conhecimento em arquitetura, engenharia, matemática e geologia. Eram agricultores, além de caçarem e coletarem alimentos na floresta. Foram encontrados vestígios de produção e consumo de mandioca, milho, abóbora, feijão cará, peixes, pinhão e moluscos. Fabricavam instrumentos em pedras lascada, madeiras e utensílios domésticos em cerâmica.


O Parque Água Azul é o local onde acredita-se que foi martirizado Cristóvão de Mendoza, um padre jesuíta que trabalhou nas missões sul-americanas no séc. XVII. Foi fundador dos Sete Povos das Missões (São Miguel Arcanjo). É considerado o introdutor do gado no Rio Grande do Sul. Seu martírio pelos índios, em 1635, teve várias consequências, entre elas a guerra entre as tribos Guaranis e Kaigangs, a junta dos feiticeiros na região e a saída dos Espanhóis do território gaúcho. A Fonte de Água Azul é declarada Patrimônio Histórico do Rio Grande do Sul pela Lei Estadual 12.356/2004.


PADRE CRISTÓVÃO DE MENDOZA

O introdutor da pecuária no Rio Grande do Sul. 

O historiador Rio-Grandense, Aurélio Porto, em 1940, começou a pesquisar juntamente com o padre João Marchesi, Luiz Gonzaga Jaeger e a comunidade da região o local exato do Martírio do padre Cristóvão de Mendoza, ocorrido em 26 de abril de 1635.  As irmãs do Imaculado coração de Maria, do colégio de Santa Lúcia do Piaí realizaram orações pedindo que fosse encontrado o local.

Analisando documentos históricos, Luiz Gonzaga Jaeger e Aurélio Porto, começaram a procurar o local onde foi trucidado o Padre Cristóvão de Mendoza e no dia 25 de novembro de 1940, nas proximidades do rio Mamangaba, encontraram uma fonte de água, de cor levemente azulada, considerada desde tempos antiguíssimo, como milagrosa. 

Contudo, ainda não confirmado o local certo do Martírio do padre Cristóvão de Mendoza, considerado o quarto mártir Rio-Grandense. 

Quando apareceu na casa do padre Marchesi, um morador antigo da região, o colono Ambrósio Martinotto, que chegou em 1886, e conheceu ainda, vários pretos escravos, combatentes da guerra dos Farrapos, que haviam militado sob as ordens de José Garibaldi, os quais contavam a Martinotto que eles haviam estado em comunicação com os bugre daquelas banda do "Raposo", que lhes haviam dito muitas vezes que seus antepassados tinham dado morte violenta a um padre muito Santo, sacrificado nas imediações do Morro Grande, próximo ao Rio Mamangaba, que esses negros haviam cobrado tanta veneração a esse Santo Padre. 

Não se pode negar que tudo isso era um legítimo fio de tradição, de enorme importância para a história do padre Cristóvão de Mendoza. 
No dia 1° de dezembro de 1940, num domingo a tarde, houve a primeira romaria e missa ao local do Martírio do padre Cristóvão de Mendoza, com a bênção da água azul. Nessa primeira romaria teve a presença de aproximadamente 280 pessoas. 

A partir desse dia, todos os anos em abril, (martirizado em 26 de abril de 1635.) homenageamos com festa o PAI QUERITO, como era chamado o Padre Cristóvão de Mendoza, na comunidade de Água Azul, com missa campal ou crioula, na fonte. 

A fonte do martírio do padre Cristóvão de Mendoza e o monumento ao Padre Cristóvão de Mendoza é  declarado patrimônio cultural do estado do Rio Grande do Sul pela lei N° 12.356 de 01/11/2005.

Há uma lenda que conta que o padre teve seu coração arrancado enquanto estava agonizando. O coração foi encontrado nas águas de uma fonte, que ficou azul. Este acontecimento deu origem ao nome da comunidade - Água Azul.

 


Igreja

Em 1942, os fiéis da comunidade de Água Azul, construíram uma capelinha de madeira bruta, de 5,50 X 10 metros, na entrada do campo e em 1952 iniciou-se outra igreja de alvenaria que foi concluída em 1955 (foi construída pelo pedreiro Antônio Alves da Silva) e inaugurada em 24 de abril.

Não sendo possível dedicar a  capela ao Padre Cristóvão de Mendoza (por ainda não ser Santo), foi dedicado a Jesus Crucificado. 

Assim na festa de ascensão do Nosso Senhor, no dia 14 de maio, foi benta a capelinha, logo a seguir rezada a primeira missa,  e realçada pelos cânticos dos estudantes  Josefinos de Fazenda Souza. Após o almoço, houve grande procissão com o crucifixo até a fonte azul, à qual foi lançada a bênção da água benta,  tendo a tradição de levar para casa um pouco desta água benta. 
(Separata ampliada do relatório do ginásio Anchieta de Porto Alegre, publicada no fim do ano letivo de 1942.) Porto Alegre, 19-III-1943. Bibliografia, livro o herói do Ibía, pe. Luiz Gonzaga, S.J (Porto Alegre, 30-03-1943).


Monumento homenagem ao introdutor do gado no RS

Inaugurado em 30 de abril de 2000, foi idealizado por Padre Mário Scopel tendo como escultores Carlos Lorandi e Cristovão. Localizado em frente da igreja no parque Água Azul. Uma homenagem a Cristovão de Mendonza.

O Padre Jesuíta Cristóvão de Mendonça, com o objetivo de garantir a alimentação dos índios convertidos, introduziu o gado nas missões em 1634  e que vem a ser o gado sem marca e sem sinal, hoje conhecido como o Gado Orelhano, Franqueiro ou o gado xucro  uma raça brasileira que se encontra em risco de extinção. É importante lembrar que foi a pecuária que se multiplicou imensamente nos campos sulinos e permitiu a partir de 1634, data da introdução, o crescimento das reduções e depois todo o modo de ser do povo gaúcho. 

Esta mesma genética, depois, multiplicou-se em milhões de cabeças e foi um dos motivos dos jesuítas retornarem em 1682, passados 45 anos dos ataques dos bandeirantes paulistas que os tinham expulsado em 1638. Esse mesmo gado fez o Tropeirismo – levando o gado e especialmente as mulas para a partir da comercialização em São Paulo, irem a Minas Gerais e lá criarem a riqueza conhecida. O mesmo gado fez a economia das charqueadas e a alimentação dos milhões de escravos, mão de obra que tocou o país por tantos séculos. Finalmente o mesmo gado fez as estâncias, períodos muito importantes da economia e cultura rio-grandense.  
Fonte Sítio do Gaúcho taura e Infoescola.   Site: Origem do Gado no Rio Grande do Sul 
 


Eventos realizados no Parque Água Azul

Festa ao PAI QUERITO, como era chamado o Padre Cristóvão de Mendoza. Os festejos em homenagem ao Padre introdutos do gado no Rio Grande do Sul, ocorre desde 1940, é o evento oficial da comunidade. Ocorre anualmente no mês de abril, no domingo mais próximo do dia 26. Um evento distinto na região com missa campal ou crioula, na fonte, com benção da água. Após ocorre a confraternização, onde os participantes tem a opção de escolher entre almoço colonial com cardápio fixo, ou escolher o seu churrasco. Escolhendo o churrasco, adquire-se um espeto, encontra-se um local em meio à natureza - em baixo das árvores - como falam, para fazer sua refeição em estilo mais tropeiro/ gaúcho. Por ser uma celebração ao ar livre torna-se um evento atrativo onde se mescla os hábitos campeiros do gaúcho com os hábitos e estilo dos  descendentes Europeus. Ocorre em meio a natureza, num local que guarda muita história e oportuniza hoje  momento de espiritualidade e confraternização. Um belo evento para conhecer, saiba mais.


No último domingo de novembro o piquete de lanadores  Sinuelo dos Pampas de Água Azul realizam o seu tradicional Torneio de laço, um evento que é realizado desde 1965. O piquete foi fundado em 1963 em homenagem ao primeiro tropeiro dos gaúchos Pe. Cristóvão de Mendoza introdutor da pecuária no Rio Grande do Sul. Um evento que segue as tradição da lida com o gado e preserva as tradições Gaúchas.


Os Trilheiros do Piaí  ocupam o espaço do Parque da Água Azul para realizar anualmente no mês de setembro o evento Trilhas do Piaí. Na última edição em 2019, reuniu 748 motos, quadriciclos e UTVs de todas as regiões do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Eles percorreram 80 km por trilhas nas comunidades de Santa Lúcia do Piaí. Durante o evento, quase duas mil pessoas passaram pelo local e aproveitaram o tradicional almoço colonial,  o jantar e o café da manhã na comunidade de Água Azul. A população do distrito se reuniu para ver a passagem das motos pela praça. Em 2020 não ocorreu devido  a Covid-19.

 

Fotos: Gilmar Gomes, Marivania Sartoretto, Inlustração Rafael Corteletti, arquivo trilheiros do Piaí

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