Sinuelo dos Pampas - Piquete de Laçadores

PIQUETE DE LAÇADORES SINUELO DOS PAMPAS DE ÁGUA AZUL  - No início do cultivo do gado no RS, viviam soltos no pasto, para apanhar os homens chamados de peões montados em seus cavalos e com corda, chamada de laço, seguia animais paga laçar e prender. Como a expansão do cultivo do gado também foi surgindo o tradicionalismos Gaúcho e competições premiando melhores laçadores. Hoje Piquete de Laçador - são grupos de peões laçadores, com habilidade, treinam geralmente em piquetes e participam de competições chamadas de tiro de laço.

Fundado 1963 em homenagem Pe. Cristóvão de Mendonza que foi o introdutor do gado no RS e pelo gosto que tinham em comum pela tradição Gaúcha.



Em Abril de 1963,  Antônio Vergani, juntamente com familiares e amigos  foram assistir um torneio de laço no Apanhador, a partir deste momento fizeram uma reunião e fundaram o piquete de laçadores, SINUELO DOS PAMPAS DE ÁGUA AZUL, que inicialmente se chamava ÍNDIO GUAPO, em homenagem ao primeiro tropeiro dos gaúchos Pe. CRISTÓVÃO DE MENDOZA, introdutor da pecuária no Rio Grande do Sul.

O primeiro torneio de laço foi realizado na cancha que era em frente a Igreja e o salão de Água Azul. O gado para o torneio foi emprestado por: Antônio Vergani, Pompeu Soares e André Bach. 

Sua primeira escalação foi: Alcides Vergani, André Bach, Belizário Soares, Geraldo Daneluz, Fiorindo Lize, Adi Velho, Isalino Castilhos, Pompeu Soares, Pedro Soares, sendo que o 10° integrante não temos registro.

Os piquetes convidados foram: Porteira Serrana do Apanhador, Laço Velho do Juá, Rodeio Velho da Casa Branca, Laço Forte do Rincão das Flores, Presilha de São Francisco de Cazusa Ferreira, entre outros.
Outros integrantes que também laçavam foram: Tarcísio Vergani, Leothério Novello, Agostinho Novello e Ernesto Scopel. E passou pelo piquete mais de cem laçadores.

A atual concha de laço foi transferida próxima a fonte do Martírio do padre Cristóvão de Mendoza em maio de 1969. E a noite teve um baile no salão da igreja de Água Azul, para comemorar.

Nos primeiros torneios de laço, os convidados laçavam com os cavalos do Piquete que promovia o evento, se o torneio fosse próximo, os integrantes iam a cavalo, posteriormente começaram a levar seus cavalos com o caminhão dos Bach e dos Soares. 
Quando os torneios eram mais distantes, iam de camioneta do Ernesto Scopel de carro ou até de ônibus.

Em uma certa ocasião, voltando de um torneio na fazenda Lichiguana começou a chover muito e o rio Piaí não dava pé e os lançadores tiveram que pousar em um barraco de lenhador que tinha no mato, fizeram um fogo para secar as roupas e dormiram em cima dos pelegos, mas no dia seguinte conseguiram atravessar o rio e seguiram para suas casas.

Em outra ocasião em um torneio na Cascata, foram dois laçadores a mais, e o patrão Belizário Soares para não deixar ninguém sem laçar, deixou cada um dar uma armada ao invés de um laçador dar três armadas, três laçadores deram uma armada cada, sendo que a regra é um atirar três armadas e quem acertar as três armadas, disputa o troféu. 

Em algumas situações, na volta dos torneios, eles largavam seus cavalos e cada um sabia voltar para sua casa sozinhos e seus donos voltavam depois de carro.

Dos fundadores, o único integrante que laça até hoje é Alcides Vergani que  começou a laçar com 19 anos e hoje está 77 anos. 

Nos primeiros torneios de laço os piquetes convidados ganhavam o churrasco do piquete da casa, entre os prêmios que ganhavam na época era: 
Troféis, mangos, facas prateadas, rédeas, guaiacas, bebidas e também gado.

As mulheres dos laçadores também tiveram papel importante, pelo apoio, pois participavam da torcida nos eventos e colaborando nos dias de festa com a organização da cozinha para servir os participantes do torneio.

Podemos afirmar que o começo de tudo se deu pela influência do Pe. Cristóvão de Mendonza que foi o introdutor do gado no Rio grande do Sul e pelo gosto que tinham em comum pela tradição Gaúcha.

Por trás desse meio século, existe uma história de perseverança, bravura e respeito aos antepassados que viviam da lida de campo. Principalmente construindo e preservando a tradição gaúcha

Atualmente a  cancha continua no mesmo lugar, no Parque Água Azul. Participam de rodeios, festas campeiras, campeonatos municipais e torneio de laço em geral.

Os torneios de laço, acontecem a maior parte no município de Caxias do Sul, São Marcos, São Francisco de Paula entre outros.

Anualmente participam da semana Farroupilha nos pavilhões da festa da uva, onde acontece tiro de laço, onde todos os integrantes podem participar, desde que formem os quintetos. (sendo que os integrantes atiram três armadas e os que acertam as três disputam o prêmio individual, sendo que a disputa é eliminatória) diferente dos torneios normais que só  podem laçar 10 integrantes por evento.

As filhas dos integrantes do Piquete Sinuelo dos Pampas de Água Azul, também, contribuíram com suas habilidades campeiras, participando em abertura de torneio de laço, fazendo parte da entidade, piquete de prendas e representando as mulheres gaúchas

 

Fotos: Arquivo de Paulo Soares e arquivo pessoal de Alcides Vergani