Plantio de araucária marca a visita técnica a Vila Seca
Vila Seca revela-se um território de histórias, memórias e potencialidades únicas, onde a riqueza cultural, ambiental e produtiva se entrelaça à preservação das tradições e da identidade loca
A emoção e a vontade de seguir percorrendo o território caxiense marcaram a última visita técnica do projeto “Caxias do Sul: história e cultura nos distritos”. Já com saudades de tudo que viveram, os participantes da visita a Vila Seca plantaram uma araucária que simboliza o respeito ao legado dos indígenas e de todos os povos que contribuíram com Caxias do Sul, além de uma semente para o futuro.

Financiado pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC) de Caxias do Sul, com apoio cultural de Metadados, L. Fomolo, Hotel Blue Tree Towers, Fercien Inovação e Gestão de Ativos, Angeza e Sorvetes Urca, o projeto teve como um dos objetivos passar conhecimento a pessoas que têm a oportunidade de compartilhar a história e a cultura dos distritos caxienses. E desde o início, em 2025, isso foi acontecendo. Guias de turismo, professores e outros profissionais já realizaram ações que partiram dessa iniciativa e seguirão em frente com esse trabalho.



Mas precisamos voltar ao início da terça-feira, 12 de maio. A visita técnica começou em um cemitério que fica às margens da Rota do Sol e foi feito porque Niquinho Soares não queria que as pessoas negras fossem enterradas no mesmo lugar das brancas, então doou essa área. Tanto o cemitério, quanto outras histórias que sustentam Vila Seca como um lugar de territorialidade afro estão detalhados nesta reportagem. Em frente ao cemitério, o grupo teve a oportunidade de conversar com Ivanete, que tem ascendência indígena e afro. Nós falamos mais sobre esse assunto neste conteúdo especial.

O lugar onde fica o cemitério é conhecido como Capão da Erva, porque ali existiam muitas plantas de erva-mate no passado. Marivania Sartoretto, idealizadora do projeto, falou sobre esse assunto aos integrantes da visita e, no portal Guia de Caxias do Sul, há mais informações. Para ler, acesse esta matéria. O sub-prefeito de Vila Seca, Volnei Citon, também conversou com o grupo nesta primeira parada, que foi seguida de uma recepção no terreno ao lado do cemitério. A área é de Jairo José Rech, proprietário da Direch Funghi. Para celebrar o Capão da Erva e sua história, ele recebeu o grupo com cuias de chimarrão. Em seguida, falou sobre o seu negócio e a história daquela terra.

Dali, a caravana seguiu para o Salão Paroquial de Vila Seca, onde foi recebida com cuca, bolo, biscoitos e café. Por lá, os integrantes ouviram uma série de histórias a respeito deste distrito, incluindo sobre o produção do charque. Jorge Medeiros contou causos da Vila Seca, assim como o Raul Rodrigues, que repassou relatos da época das tropeadas. Na ocasião, os presentes também tiveram a oportunidade de conhecer o trabalho de Raul com a madeira. O talento vem de família, e a história dele está descrita neste conteúdo. . Enquanto ouviam Itamarajá Medeiros falar sobre as toras que via passar na época das serrarias, as brincadeiras de quando ela era criança, as tropeadas e as hospedarias, que foram tão importantes, os integrantes do grupo puderam olhar fotos antigas selecionadas por ela. Esse momento de histórias foi muito rico e antecedeu a ida ao interior da igreja, onde os participantes aprenderam um pouco sobre a Festa do Divino de Vila Seca.


A parada seguinte foi no Mercado do Leandro, onde o grupo teve a chance de ver como é o preparo do charque. A família dele trabalhou com isso no passado e ele hoje é conhecido por ter uma carne de excelente qualidade no seu estabelecimento. E dali, a turma seguiu para conhecer outro negócio que ajuda a impulsionar Vila Seca: o Centro de Treinamento Iuri Barbosa. Iuri prepara cavalos para correrem o Freio de Ouro e tem animais que chegam de diversos lugares. Ele contou a sua história para o grupo e montou em um animal para mostrar um pouco do seu trabalho.

O almoço aconteceu no Caminho’s do Morango, mais um negócio que ajuda a impulsionar Vila Seca. Elisana explicou para os participantes da visita como foi a criação do seu negócio, contou o que oferece e também abriu o espaço para que outros lugares fossem apresentados. Janaína falou sobre a Equitação para adultos e crianças e Roberto Tonela, da Vinícola Tonela, que fica em São Gotardo. Citon também tratou do Parque Rural que está sendo construído no distrito.
À tarde, o grupo aprendeu muito sobre o Sistema Marrecas, responsável por parte do abastecimento de água de Caxias do Sul. Os participantes estiveram em dois lugares importantes: a Barragem do Marrecas e a Estação de Tratamento de Água (ETA) Morro Alegre. Nos dois pontos, funcionários do SAMAE passaram informações relevantes e explicaram como a água chega na casa dos caxienses. Além de receber conhecimento, o grupo ainda teve a chance de se deslumbrar com a paisagem, que estava linda em um dia de sol.

Para finalizar esse dia importante, os participantes chegaram ao parque onde está sendo realizado um trabalho de enxertia com araucárias. A área está dentro da bacia de captação do Marrecas e pertence ao SAMAE. Lá, além de entender como funciona esse projeto de plantio de pinheiros com enxerto, o grupo teve a oportunidade de degustar uma paçoca de pinhão com cogumelos e deixar o seu legado plantado na terra.

Projeto Visitas Técnicas Caxias do Sul:história e cultura nos distritos - Vila Seca
Curadoria, apresentação e organização: Marivania L. Sartoretto
Textos: Paula Valduga
Fotos e vídeos: Paula Valduga, Marivania L. Sartoretto, Júlio Soares, Junior Campos - MTB - 021381/RS e Mônica Biffi
Local: Caxias do Sul, Distrito Vila Seca
Maio de 2026.
