Galópolis Museu de Território

O projeto do Museu de Território
Alicerçado na trajetória e no legado do italiano Hércules Galló, pioneiro da indústria têxtil na Serra Gaúcha, o projeto iniciou com a musealização das duas casas onde o empreendedor e sua família viveram, inaugurados em 2015 e que compõem o marco inicial somados com 14 pontos que integram o núcleo do museu a céu aberto. Os locais foram demarcados com totens explicativos que mapeiam o território, oportunizando a manutenção da história viva para ser contata por e para todos que ali moram e visitam. O Museu a céu aberto de Galópolis, com os 15 locais teve sua inauguração em agosto de 2019.

O projeto com objetivo de trazer uma forma diferente e envolvente de transmitir esse resgate histórico, onde o foco não são objetos históricos e sim o território em si e toda a sua riqueza cultural. O conceito de museu de território, ainda pouco explorado na museologia no Brasil, tem como essência musealizar o território e territorializar o museu. A proposta é adepta à Nova Museologia que, diferentemente do conceito tradicional centrado num edifício, nas coleções e num público-alvo, amplia seu olhar para todo o patrimônio material e imaterial regional, passível de preservação e, acima de tudo, propõe um diálogo com a comunidade em que está inserido, numa lógica de inclusão e partilha. Seguindo o conceito do museólogo francês Hugues de Varine Bohan, o acervo abrange o patrimônio cultural e não a coleção, como tradicionalmente ocorre.

O Museu de Território está baseado em um conceito muito inovador no Brasil, sendo talvez o primeiro museu a céu aberto do Brasil cuja comunidade da qual ele retrata tenha tido participação efetiva na eleição dos testemunhos históricos, tanto no que se refere a patrimônio edificado quanto ambiental.

Galópolis constitui-se num cenário autêntico, um caso raro de uma comunidade inteira passível de preservação. Além disso, possui características curiosas, como o fato da implantação de um núcleo nitidamente urbano em um ambiente rural. Isto se deve ao processo de industrialização iniciado em 1894, quando jovens tecelões vindos da Itália fundaram o primeiro lanifício, nos moldes de uma cooperativa, após perceberem que a área não era propícia para a agricultura e que os dois rios do lugar possibilitariam a movimentação de máquinas e a geração de energia elétrica, além dos serviços de lavagem e tinturaria. Em 1903, Hércules Galló juntou-se ao grupo de empreendedores, assumindo o comando do lanifício e liderando ações que garantiriam à vila um significativo progresso, cujo ícone é a construção de uma vila operária, com casas, construídas lado a lado, que eram alugadas por valores simbólicos, garantindo a manutenção e atração de mão-de obra. A partir daí e, mesmo após a morte de Galló, a vida da comunidade gravitou em torno do Lanifício, a exemplo da Rheingantz, da cidade de Rio Grande, com modelo fabril trazido pelos fundadores Carlos Guilherme Rheingantz, Miguel Tito de Sá e Hermann Vater, que foi inspirado na Alemanha e em viagens efetuadas à Inglaterra da Revolução Industrial. Em homenagem a Galló, o povoado passou a denominar-se Galópolis, em 1914, com a criação do 5º Distrito de Caxias, pelo intendente José Penna de Moraes.

Todo esse caminhar, expresso em testemunhos arquitetônicos, peças, fotografias, documentos e na memória de seus habitantes, está registrado no Museu de Território. 

 

PERCURSO, ATRATIVOS E DESCRIÇÃO DO GALÓPOLIS MUSEU DE TERITÓRIO

 

A escolha dos locais a serem contemplados no Percurso 1 ocorreu a partir de uma consulta realizada em diversos encontros, anteriores a pesquisa, com a população local. Fazem parte desta fase, além da sede do Instituto Hércules Galló- Casa 1, Casa 2 e Sala Multiuso, os seguintes locais: Igreja Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, Cascata Véu de Noiva, Vila Operária, Escola Ismael Chaves Barcelos, Sindicato Rural, Lanifício - COOTEGAL Circulo Operário, Cinema, Praça Duque de Caxias, Casa Straglioto, Arvore das Garças, Arroio Pinhal, Armazém Basso, Cooperativa Consumo.

Você pode criar o seu próprio roteiro de visita, percorrendo total ou parcialmente o percurso do Museu.

 INSTITUTO HÉRCULES GALLÓ

 Nasceu da vontade dos descendentes de preservar a memória do empreendedor do setor têxtil da Serra Gaúcha. O propósito inicial do instituto é ser tutor do conjunto de residências restauradas, localizada em Galópolis, bairro de Caxias do Sul (RS), mas também transformar o local em um centro voltado à cultura e à memória.

O instituto se propõe a ser agente gerador de projetos culturais e educacionais e ser pensante nas questões de preservação e atrações para Galópolis. A ideia é interagir com a comunidade, apoiando movimentos no mundo das artes, acolhendo exposições, encontros, mostras e palestras. Além disso, o IHG quer chamar atenção para outras edificações existentes em Galópolis que mereçam atenção enquanto Patrimônio Histórico Local.

O instituto também quer motivar a comunidade do bairro e de Caxias do Sul a encontrar caminhos para atrair turismo cultural e de lazer. Estabelecer vínculos com outros institutos e organizações que tenham os mesmos intuitos, em âmbito regional, nacional ou internacional, é outra meta importante do IHG.

 

CASCATA VEU DE NOIVA

A abundância de água da queda denominada de Véu de Noiva, com cerca de 100 metros de caída, no Arroio Pinhal, com disponibilidade para gerar força hidráulica, propiciou a instalação de um lanifício, inicialmente sob a forma de cooperativa e posteriormente, adquiri da por Hercules Galló. Em 1911, Galló associou-se aos Chaves Barcelos, fazendo com que os 12 teares iniciais, destinados à tecelagem de panos de lã, passassem 45 modernos teares, junto com a fiação e a tinturaria. A forca necessária era de 215 HPs, sendo aberta, no verão de 1912, uma concorrência para a instalação de uma turbina hidroelétrica. Saiu-se vencedora a Aliança do Sul Cia Nacional de Porto Alegre que, ao final do mesmo ano, iniciou os trabalhos. A escolha do sistema primou pelos princípios de fazer tudo com a máxima simplicidade, segurança e baixo custo, tanto para a sua instalação, quanto para a manutenção.

 

ÁRVORE DAS GARÇAS

De acordo com a memória oral dos moradores de Galópolis, a história da árvore das garças remete ao período em que o Lanifício São Pedro passou a produzir seda, em meados da década de 1920. Nessa época existia na empresa o setor de sericultura, parte da zootecnia especial que trata do estudo e da criação do bicho-da-seda, para fins de fabricação do tecido. Em sua fase larvar, o bicho-da-seda se alimenta exclusivamente de folhas de amoreira. Assim, para estimular a criação e posterior produção do delicado tecido, a fábrica plantou amoreiras nos seus arredores.

Em meados de 1980, a administração do Lanifício construiu um lago, arborizou e plantou um gramado próximo a essas árvores. Aos poucos, as garças começaram a vir atrás de alimento, encontrando tudo de que precisavam para se instalarem, pois as árvores de angico existentes no entorno também servem para a fabricação de seus ninhos. A revoada das garças, que chega à Vila ao entardecer, e um espetáculo a parte. São cerca de 50 a 100 garças em um bando. Estima-se ao todo, que são cerca de 2.000 animais enchendo de graça nossa encantadora Galópolis.

 

 ARMAZÉM BASSO

O prédio, de madeira, barro e tijolos, foi construído ha cerca de cem anos por Luiz Basso e comandada por sua esposa Égide Cesar Vial Basso, com a finalidade de abrigar um armazém de secos e molhados: sapatos chinelos, fumo, fazenda em metro, perfumaria, loucas utilidades domésticas, alimentos como arroz, açúcar, farinha, massas, que eram armazenados em grandes tulhas e entregues aos clientes em pacotes de papel. Além do comércio, tinha um recinto chamado cantinho da amizade onde as amigas da família se reuniam para conversar, tomar café e comer biscoitos e Dona Égide arrecadava doações para as festas comunitárias religiosas. O capitel de São Roque em frente ao armazém, guarda uma devoção centenária durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1919), Renato Galló, um dos filhos do Hércules na Itália, mas o projétil teria desviado na medalhinha de São Roque que ele carregava junto ao peito. Como agradecimento Hercules mandou vir da Itália uma imagem do santo. Com cerca de 65 centímetros e 20 quilos a estatua ficou aos cuidados de Amábile Cesa Vial e da filha Égide Vial Basso, que a instalou em uma capelinha construída no jardim da casa. O armazém Basso encerrou suas atividades em 2007, deixando um forte legado social para a comunidade.

 

COOPERATIVA DE CONSUMO

Fundada em 24 de abril de 1939, a Cooperativa de Consumo São Pedro foi construída pelo Lanifício São Pedro, funcionando, inicialmente, em um prédio de madeira sendo substituída por outra, de alvenaria, em 1950. No andar superior, três espaços um apartamento para o gerente: outro, para o contador e a área reservada para deposito dividiam a edificação com uma creche e um ambulatório médico. A base de sustentação da Cooperativa era a revenda de parte da produção do Lanifício, comércio de produtos, além de um tambo de leite próprio e o café da marca Pinhal, torrado no próprio estabelecimento. O seu ponto forte contudo, era o apoio dado aos empregados do Lanifício que, quando afastados seja por acidentes pessoais ou familiares doenças e outros motivos, continuavam a receber por quatro, cinco, ate seis meses os mantimentos, sem necessidade de pagamento.

Após a venda do imóvel, em 1985. Luiz Antonio Felippi resolveu trazê-la para o seu estabelecimento comercial e abriu o mercado Nostra Vita no mesmo espaço segue e funciona quase nos mesmos moldes da antiga cooperativa, com os mesmos fregueses, lembrando as antigas bodegas.

 

CÍRCULO OPERÁRIO

Fundado em 16 de novembro de 1929, Com a finalidade de promover integração aos associados, o Circulo Operário possuía, no primeiro andar da antiga sede cozinha, restaurante, recepção, banheiros, barbearia, biblioteca e também salas de jogos damas, xadrez entre outros. Na área maior, ficavam as mesas de ping pong que, junto ao restaurante, também era utilizada para festas de casamento. Na parte Superior, situava se a residência do ecônomo Alexandrino Vial e o salão de baile O Lanifício mantinha ainda clube de futebol, chamado Grémio Esportivo Ismael Chaves, vinculado ao Circulo Operário.

 O antigo prédio foi demolido em 1952, dando lugar a uma nova sede, construída entre 1953 e 1955, e inaugurada em 1964 Ele completou a configuração da área central de Galopolis onde se encontravam ainda a Vila Operária e a lgreja Matriz de Nossa Senhora de Pompeia. Durante a administração Sehbe, no Lanifício, espaço do salão de bailes foi transformado em atacado de tecidos. Na parte térrea, permaneceram a cozinha e o restaurante, e as demais dependências do prédio viraram escritório da empresa. O último presidente do Circulo foi Mario Basso, que ficou a frente da instituição até o início da década de 1980.

 

CINEMA

O Cinema sempre teve uma expressiva função social no sentido de congregar a população local. Em Galópolis, inicialmente, as projeções aconteciam em uma sala cedida pelo Circulo Operário, na Rua Antonio Chaves, pertencente ao Lanifício São Pedro. A partir de 1929 o Cinema foi instalado num prédio de madeira, localizado na rua Ismael Chaves. O Cine Operário Galópolis teve como fundador e proprietário Victório Diligenti. Mais tarde, foi erguido um prédio de alvenaria para dar maior segurança ao público, mantendo a fachada, com os camarotes dando lugar a um mezanino e 200 poltronas de madeira.

Palco de espetáculos como o teatro dirigido pelo Padre Olívio Bertuol, bailes de encerramento da Festa de São Pedro, concertos da Orquestra Sinfônica de Caxias do Sul, com o decorrer do tempo o público diminuiu. Victório Diligenti viu-se obrigado a vendê-lo à Mitra Diocesana, em negocio intermediado pelo Padre Ângelo Mugnol. Mesmo assim, Diligenti permaneceu como gerente até 1967 quando adoeceu. Oposto passou ao Sr. Eugenio Bello, até o encerramento das atividades em 1983. A população, até hoje, lamenta o fechamento do Cine Operário Galópolis.

 

LANIFÍCIO

Remanescentes de uma greve no Lanifício Rossi, em Schio, na Itália, vinte e oito hábeis tecelões fundaram, em 1894, a Sociedade de Tecidos Tevere e Novità, “Vale del Profondo", como Galópolis era chamada, sendo inaugurada quatro anos depois, em 29 de janeiro de

1898. O imigrante Hércules Galló, informado a respeito do empreendimento, deslocou-se para a Serra, ingressando na sociedade dos italianos. Então, em 1904, assume o controle da cooperativa, rebatizando-a Companhia de Tecidos de Lã. Em 29 de junho de 1912, Galló associou-se a Comercial Chaves & Almeida, cliente do Lanifício e, um ano depois, em 19 de agosto de 1913, a empresa se tornaria comercialmente conhecida como Lanifício São Pedro. Sob a liderança de Galló, foram trazidos vários mestres tecelões da Itália fazendo o negócio prosperar e lançando as bases da vila, presentes até os dias de hoje. Após quase meio século, os Chaves Barcellos passaram o controle acionário para o grupo Sehbe o qual passou a se denominar Lanifício Sehbe S/A. Em 07 de junho de 1999 um grupo de trabalhadores assumiu a gestão da empresa, fundando a Cooperativa Têxtil Galópolis Ltda. COOTEGAL fazendo com que o Lanifício retomasse a sua origem.

 

PRAÇA DUQUE DE CAXIAS

A praça constituía um lugar vivo dentro da Vila de Galópolis. As crianças tinham espaço para brincar, com escorregadores e brinquedos diversos, campo de futebol, quadras de vôlei e de basquete, além de um chafariz. No início, era um parque chamado de Ismael Chaves Barcelos. O local servia para a realização de festas e atividades de lazer para a população. Foi em seu entorno que se construiu a Vila Operária.

 A área foi batizada como Praça Duque de Caxias, por volta da metade do século XX quando ocorreu a sua doação à Prefeitura pelo Lanifício São Pedro. Em 1953, foi declarada de utilidade pública em decreto assinado pelo então Prefeito Euclides Triches. Depois da construção da lgreja, ela assumiu um formato de praça convencional, com maior arborização. Antes, era um espaço aberto de lazer.

 

VILA OPERÁRIA

A Vila Operaria começou a ser construída em 1912 em virtude da fusão do Lanifício com o capital da empresa Chaves & Almeida, estabelecendo-se à medida em que a fábrica se expandia. Propriedade do Lanifício as primeiras casas eram de madeira, com dimensões variadas, possuindo de dois a três cômodos, utilizando sempre o mesmo projeto, com jardim e horta externos tendo como objetivo manter a mão de obra próxima à fábrica. A empresa cobrava um aluguel simbólico dos trabalhadores e por óbvio, a preferência era para que os moradores das casas fossem funcionários do Lanifício. Quando o Lanifício foi adquirido pelo Grupo Sehbe, por volta de 1979, o modelo de residências operarias deu lugar ao uso de ônibus fretados, ampliando a busca de mão de obra para outros locais próximos. As edificações foram ofertadas para os inquilinos, que tiveram o direito de preferência na aquisição das mesmas. Atualmente, as casas duplas remanescentes da Vila Operária contam com seis exemplares, todas construídas em tijolos aparentes, com, aproximadamente, 80m de área útil e revestimentos internos em madeira. O conjunto, que se constitui num condomínio horizonta, construído ha mais de um século evidencia a estrutura urbana de Galópolis e é um dos mais valiosos testemunhos do patrimônio histórico-cultural de Caxias do Sul.

 

IGREJA NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DE POMPEIA

A primeira construção da igreja de Galópolis, situada no final da Rua Ismael Chaves Barcelos, é de autoria dos engenheiros civis Sady de Castro e Luiz Lessegneur de Farias, este último o mesmo que projetou a lgreja de São Pelegrino. A planta data de 1939, mas a construção iniciou em 1941, levando seis anos para ser finalizada, em 1947 Demolido na década de 1960, o templo deu lugar a uma nova edificação, cujo destaque são os dezenove vitrais, trabalho artesanal do desenhista porto-alegrense Curci e do alemão Max Dobmeyer, que veio especialmente da Europa para a execução da obra. A estátua da padroeira, Nossa Senhora do Rosário de Pompeia, foi esculpida por Alfred Rademacher, artista responsável pelas obras do Palácio Piratini, em Porto Alegre. Para a construção da Igreja, alguns trabalhadores do Lanifício, na época sob o comando do João Laner Spinato, depois do horário de trabalho, carregavam tijolos com a carriola para que os pedreiros pudessem trabalhar no dia seguinte. A lgreja foi erguida com doações da população: dinheiro, horas de trabalho. Tombada pelo patrimônio histórico assim como a Casa Canônica, ela é um espaço destinado a congregar as pessoas.

 

ESCOLA ISMAEL CHAVES BARCELOS

Conforme a memoria oral da população, no final da década de 1920 e início de 1930, o prédio de alvenaria e madeira foi construído originalmente, para abrigar um hospital mas, já no período de 1934 a 1937, tornou-se uma escola para meninos. Comandada pelos padres Josefinos, tendo sido o Pe. João Schiavo seu diretor, frequentada pela quase totalidade dos filhos dos operários do Lanifício, um desentendimento entre a direção da empresa e a congreção, em 1937, provocou seu fechamento a reinauguração viria três anos mais tarde com o nome “Colégio Particular Chaves Irmãos” sob a direção das freiras do Sagrado Coração de Maria.

A crise do petróleo de 1973 afetou a economia local e a chegada do náilon e do tergal levou à necessidade da venda da escola, em 1973, ao governo do Estado do Rio Grande do Sul para manter sua gratuidade, sendo reaberta em turno integral, com o nome de Ismael Chaves Barcelos. É comum os seus egressos comentarem com nostalgia em como, em cada final de ano, ajudavam a fazer a faxina na escola, ou quando, em turno contrário, faziam teatro e diversas atividades. Esse vínculo revela-se no cuidado para com a proteção de seu patrimônio - o prédio foi restaurado em 2008 mas grande parte dele continua original. A escola ainda luta pelo tombamento do prédio.

 

 

ARROIO PINHAL

O Arroio Pinhal nasce no perímetro urbano de Caxias do Sul, nas proximidades do Presídio Industrial, a uma altitude de 830m do nível do mar, com um percurso de cerca de 22 km podendo ser observado à margem da BR- 116. Suas águas são utilizadas para abastecimento público, irrigação, turismo e lazer e diluição de carga poluidora. Um de seus trechos, com cerca de 1 km canalizados, atravessa a área urbana de Galópolis, desemboca na cascata Véu de Noiva, com vegetação nas duas margens, encaixando-se no vale que ali se descortina. Segue como rio de várzea, onde o Arroio Pinhal encontra o rio da Terceira Légua, desembocando no Rio Cai. O Arroio, na Vila de Galopolis, teve uma função social muito grande para a comunidade pois servia como local de banho, lavagem de roupas das famílias e da louça dos estabelecimentos comerciais cenário para muitos piqueniques jogos e brincadeiras estando perfeitamente integrado à vida local. A existência do Arroio Pinhal proporcionou a forca suficiente para mover as máquinas da tecelagem, determinando a ocupação do território pelo grupo de tecelões provenientes de Schio e a posterior aquisição do Lanifício por Herculés Galló, modelando o destino da localidade.

 

CASA STRAGLIOTO

Localizada as margens da BR-116, a imponente construção nos remete a um passado longínquo. Datado de 1914, o casarão, já abrigou hospedaria, salão de baile, sala de jogos recreativos, barbearia, ferragem, mecânica, restaurante e um bar. Cedendo moradia nos andares superiores e comércio na parte térrea, cinco gerações passaram pelo local, que ainda serve de residência. Giuseppe Straglioto (1878 1959), um dos primeiros moradores de Galópolis, foi o responsável pela sua construção.

Cheiros e temperos do lugar ainda povoam a mente dos moradores da Vila Operária, as famílias esperavam ansiosas para saborear aos sábados mondongo, também denominado de dobradinha ou bucho. Elaborado em painelões enormes, o prato vinha acompanhado de um bom vinho bordo de parreiral próprio, produzido e engarrafado no porão da propriedade, pão feito no forno e repolho no vinagre. Nesse mesmo período, a Casa Straglioto abrigou também um armazém de secos e molhados. Hoje em dia, o casarão mantem os serviços na área de gastronomia, com objetos antigos em todos os ambientes da casa, levando os clientes, efetivamente a fazerem uma volta ao passado.

 

 

SINDIATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DE FIACÃO E TECELAGEM DO DISTRITO DE GALÓPOLIS

Fundado em 13 de agosto de 1939, inicialmente era chamado Sindicato dos Mestres e contramestres, visando atender as necessidades dos trabalhadores da crescente Vila Operária, além de garantir o cumprimento da nova legislação trabalhista, instaurada pelo governo de Getúlio Vargas. Dois anos depois, em 1941 Eclides Canale foi eleito o primeiro presidente e, quatro anos mais tarde, pela primeira vez, ocorre uma querela entre o sindicato e a fábrica têxtil, referente as leis de férias e a demissão de empregados com base nos estatutos da entidade, a qual solicitava prazo para a defesa dos operários demitidos. O fato mostrou o papel representativo da entidade nos interesses dos operários e impulsionou a construção da sede própria, em 1951 na Av. Presidente Vargas, 901, BR-116 contando com a ajuda de vários associados, que doaram materiais para a construção. Em setembro de 2013, o Sindicato passou a exercer suas atividades na nova Sede Administrativa, localizada na Rua Ismael Chaves N° 51 sendo que o andar superior do espaço antigo continua funcionando como sede social, com salão de festas e atendimento de exames laboratoriais, com descontos para os associados, que chegam a cerca de 400 membros atualmente.

 
 
Realização: Instituto Hércules Galló
Elaboração Projeto Cultural: Quattro Projetos
Execução: 3 Tempos Memória Corporativa
Museografia: Museóloga Tania Maria Zardo Tonet COREM 0115
Pesquisa: Ana Caroline Guarnieri 3 Tempos Memória Corporativa
Textos e Banco de Dados: 3 Tempos Memória Corporativa
Tânia Maria Zardo Tonet
Charles Tonet
Arquivo Histórico João Spadari Adami