Bosco 53
Bosco 53: iníciou com doces de Pelotas, encontros e um jeito cuidadoso e diferenciado de empreender
A vontade de empreender sempre acompanhou Juliana Smiderle. Ela se dedicava intensamente a cada trabalho e, com o tempo, a pergunta foi ficando mais clara: se a entrega já era tão grande, por que não investir essa energia em um negócio próprio?
Após a segunda maternidade, a decisão ganhou forma. Em conversa com o marido, Flávio de Mattos surgiu a ideia que daria identidade ao projeto: trabalhar com os tradicionais doces de Pelotas — uma conexão afetiva e cultural, já que ele é natural de lá. Juliana foi à cidade para conhecer mais sobre os doces, buscar referências e fornecedores, e voltou com mais do que inspiração: montou um plano de negócio e confirmou a viabilidade da proposta.
Ela também tinha um desejo bem definido: queria que o espaço fosse no bairro Nossa Senhora de Lourdes, porque gostava muito do perfil da região e identificou que havia sintonia com o seu projeto. E quando encontrou o lugar certo, a Bosco 53 nasceu. A sala foi alugada em setembro de 2021, e a inauguração aconteceu em 8 de março de 2022, uma data que ficou ainda mais simbólica por coincidir com um marco importante na vida de Juliana: o mesmo dia da sua formatura.
Entre o período da locação da sala e a abertura do negócio, Juliana e a família montaram todo o espaço. Reformaram móveis de reuso, deram nova vida a utilidades que já tinham em casa e fizeram da economia criativa um dos pilares da ambientação e da decoração. “Tudo foi feito com muito amor e dedicação”, destaca Juliana.
No começo, a operação era enxuta, com foco nos doces de Pelotas, produção em pequena escala e atendimento em meio turno. Com a procura crescendo, veio o passo seguinte: ampliar. No fim de 2023, Juliana alugou a sala ao lado, aumentou o espaço e estendeu o horário de funcionamento, passando a abrir também pela manhã.
Mas a Bosco 53 não se construiu apenas pelo produto. Juliana sempre teve um cuidado especial com a natureza e com o uso consciente do que está ao alcance: evitar desperdícios, aproveitar o máximo possível e buscar relações coerentes com esse jeito de pensar. Isso se refletiu também na forma como ela transformou o espaço em um ponto de conexões. Parcerias foram surgindo e se somando ao ambiente: uma amiga passou a ocupar a área do mezanino com sua loja, e outras iniciativas chegaram, como livros e flores, elementos que ampliam a experiência de quem entra. Trabalhar com eventos, no seu espaço, se tornou mais um serviço oferecido pelo local.

Com o tempo, a Bosco 53 se tornou também um lugar de convivência. O clube do livro criou rotina e pertencimento, com encontros semanais para conversar sobre as leituras em andamento. O tricô também virou momento compartilhado, com encontros aos sábados à tarde, em datas agendadas, promovendo trocas e aprendizados.
A experiência cresceu junto com o cardápio. Além dos doces, a Bosco 53 ampliou suas opções e passou a oferecer cafés, chás, tortas e outras propostas da gastronomia. O espaço também incorporou pratos à la carte no almoço, diversificando ainda mais o atendimento.
Hoje, a Bosco 53 representa mais do que uma doceria. É um negócio que nasceu de decisão e coragem, e cresceu com propósito: unir sabor, afeto e comunidade em um espaço que acolhe, conecta e convida a voltar.